(Re) pensar Maputo com City-X

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ESTÁ patente no Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA) e no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo, a exposição “City-X” – Eu, Maputo da alemã, Doris Graf.

A mostra resulta de mais de 800 desenhos que a artista recolheu, de cidadãos anónimos, no ano passado, em diferentes pontos da capital do país, numa escolha, aleatória.

“Este resultado deve-se, parcialmente, à vontade da população em expressar a sua visão da cidade, e sem dúvida, ao grande apoio organizacional dos parceiros do projecto em Moçambique”, lê-se na nota do CCMA.

A materialização do projecto contou com o apoio do Teatro Avenida e da sua directora, Manuela Soeiro, assim como, Átila César, responsável pelas Relações Públicas da tradicional companhia.

A partir dos desenhos livres, Doris Graf concebeu os seus próprios, que são, na verdade, a interpretação dos primeiros. Através deste exercício convida-se a quem entra em contacto com os quadros, a uma reflexão sobre a cidade de Maputo.

Propondo as pessoas a expressarem no papel a sua visão sobre a urbe, a artista cria uma janela, pela qual tem-se acesso à forma como os residentes a encaram.

Com efeito, as obras patentes na galeria do CCFM respondem às temáticas mais presentes nos desenhos recolhidos. “Foi interessante perceber que os desenhos denunciam os problemas da cidade, o que mostra, que as pessoas têm coragem de encarar essa faceta”, disse Doris Graf.

A expositora conta que, enquanto analisava o material observou que a mulher é, no imaginário colectivo, uma figura, extremamente, presente. Pois, esteve patente em vários desenhos, a desempenhar as suas actividades corriqueiras.

“Chocou-me, entretanto, a violência contra mulher nalguns desenhos, fiquei assustada e comovida”, assumiu a artista.

Por outro lado, Doris Graf disse que o material mostra que a distância entre o urbano e o periférico é ténue, apontando, por exemplo, alguns, em que semáforos eram desenhados em volta de uma paisagem rural.

“É interessante perceber que mostraram como parecem pontos próximos. Temos desenhos em que as mulheres cozinham fora, por exemplo”, disse a artista. Doris Graf destaca ainda que houve vários desenhos a ilustrarem estradas. 

A expositora acredita, que “este trabalho é importante, porque consciencializa as pessoas sobre como está a cidade, na mente de quem vive nela”.

Desde 2011, a artista realiza este projecto, designado “City-X”, que já escalou nove cidades da Europa e da Ásia Menor, bem como, na América do Sul e América Central.

No Centro Cultural Moçambicano-Alemão estão apresentadas imagens pictográficas de desenhos escolhidos para diversas cidades “City-X”, na respectiva da população urbana. A esse conjunto pertencem projectos de cidades brasileiras como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador da Bahia.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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